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Leishmaniose



Leishmaniose

A leishmaniose ou leishmaníase ou calazar ou úlcera de Bauru é a doença provocada pelos parasitas unicelulares do género Leishmania. Há três tipos de leishmaníase: visceral, que ataca os orgãos internos, cutânea, que ataca a pele, e mucocutânea, que ataca as mucosas e a pele. Noleishmania são transmitidas pelos insectos fêmeas dos géneros Phlebotomus (Velho Mundo) ou Lutzomyia (Novo Mundo). A leishmaniose também pode afectar o cão. Aliás, na Europa, este é considerado o reservatório da doença. Brasil existem as três formas, enquanto que em Portugal existe principalmente a leishmaníase visceral e alguns casos (muito raros) de leishmaníase cutânea. Esta raridade é relativa, visto na realidade o que ocorre é uma subnotificação dos casos de leishmaniose cutânea. Uma razão para esta subnotificação é o facto de a maioria dos casos de leishmaniose cutânea humana serem autolimitantes, embora possam demorar até vários meses a resolverem-se. As

Leishmania

  • Protozoário: Leishmania braziliensis
  • Reino: Protoctista
  • Filo: Sarcomastigophora
  • Classe: Kinetoplastea
  • Ordem: Trypanosomatida
  • Gênero: Leishmania


As leishmania são protozoários que são parasitas de células fagocitárias de mamíferos, especialmente de macrófagos. São capazes de resistir à destruição após a fagocitose. As formas promastigotas (infecciosas) são alongadas e possuem um flagelo locomotor anterior, que utilizam nas fases extracelulares do seu ciclo de vida. O amastigota (intra-celular) não tem flagelo.

Há catorze espécies patogênicas para o ser humano. As mais importantes são:

  • As espécies L. donovani, L. infantum, e L. chagasi que podem produzir a leishmaniose visceral, mas, em casos leves, apenas manifestações cutâneas.
  • As espécies L. major, L. tropica, L. aethiopica, L. mexicana, L. braziliensis e L. peruviana que produzem a leishmaniose cutânea ou a mais grave, mucocutânea.

Ciclo de vida

O ciclo de vida das espécies é ligeiramente diferente, mas há pontos comuns. São libertados no sangue pela picada de dois géneros atípicos de mosquitos (noutras línguas como inglês nem são denominados mosquitos, mas antes sandflies): Lutzomyia e Phlebotomus. As leishmanias na forma de promastigotas ligam-se por receptores específicos aos macrófagos, pelos quais são fagocitadas. Elas são imunes aos ácidos e enzimas dos lisossomas com que os macrófagos tentam digeri-las, e transformam-se nas formas amastigotas após algumas horas (cerca de 12h). Então começam a multiplicar-se por divisão binária, saindo para o sangue ou linfa por exocitose e por fim conduzem à destruição da célula, invadindo mais macrófagos. Os amastigotas ingeridos pelos insectos transmissores demoram oito dias ou mais a transformarem-se em promastigotas e multiplicarem-se no seu intestino, migrando depois para as probóscides.

Leismaniose visceral

Leishmaniose visceral (LV), também conhecida como kala-azar e febre negra, é a forma mais severa de leishmaniose. É o segundo maior assassino parasitário no mundo, depois da malária, responsável de uma estimativa de 60 000 que morrem da doença cada ano entre milhões de infecções mundiais. O parasita migra para os órgãos viscerais como fígado, baço e medula óssea e, se deixado sem tratamento, quase sempre resultará na morte do anfitrião mamífero. Sinais e sintomas incluem febre, perda de peso, anemia e inchaço significativo do fígado e baço. De preocupação particular, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OSM), é o problema emergente da co-infecção HIV/LV.

Em hospedeiros humanos, a resposta da infecção por L. donovani varia bastante, não só pela força mas também pelo tipo da reação imune do paciente. Pacientes cujos sistemas imunes produzem números grandes de células-T do tipo TH1 que fortalecem as defesas celulares mas não encorajam a formação de anticorpos, frequentemente recuperam-se facilmente da infecção e depois são imunes a uma re-infecção. Pacientes cujos sistemas produzem mais células do tipo TH2, que precipita a formação de anticorpos mas não faz nada para a saúde celular, é provável sucumbir depressa para leishmaniose.

Quando um paciente humano desenvolver leishmaniose visceral, os sintomas mais típicos são febre e a amplificação do baço, ou esplenomegalia, sendo observado também por vezes amplificação do fígado ou hepatomegalia. O enegrecer da pele, que deu à doença seu nome comum na Índia, não aparece na maioria dos casos de doença, e os outros sintomas são muito fáceis de confundir com os da malária. O erro no diagnóstico é perigoso, pois, sem tratamento, a taxa de mortalidade para kala-azar está perto de 100%.

Pneumonia, tuberculose e disenteria estão onipresentes nas regiões onde leishmaniose prospera, e, como a AIDS, estas são as infecções que são as mais prováveis assassinas em um anfitrião cujo sistema imune foi debilitado pela infecção do L. donovani. O progresso da doença é extremamente variável, demorando entre uma a vinte semanas.

Após recuperação, a calazar nem sempre deixa seus anfitriões sem marcas. Algum tempo depois do tratamento, uma forma secundária da [doença] pode começar, chamada leishmaniose dérmica pós-kala-azar ou LDPK. Esta condição se manifesta primeiro como lesões de pele na face que gradualmente aumentam em tamanho e espalham-se pelo corpo. Eventualmente as lesões podem desfigurar, deixando estruturas inchadas que se assemelham a lepra, e causando cegueira ocasionalmente se atingirem os olhos. Esta doença não é a leishmaniose cutânea, uma doença mais moderada causada por outro protozoário do gênero de Leishmania que também causa lesões de pele.

Leishmaniose cutânea

Leishmaniose cutânea é a forma mais comum de leishmaniose. É uma infecção de pele causada por um parasita unicelular pelo que é transmitida pelas picadas da mosca de areia. Há aproximadamente 20 espécies de Leishmania que podem causar leishmanioses cutâneas.

Leishmaniose mucocutânea

Leishmaniose mucocutânea é a mais temida forma de leishmaniose cutânea porque produz o lesões destrutivas, assim desfigurando a face. É causada freqüentemente por Leishmania (Viannia) braziliensis, mas são descritos raramente casos provocados por L. aethiopica.

O tratamento para a leishmaniose mucocutânea é a combinação de pentoxifilina e um antimônio pentavalente em dosagens altas durante 30 dias: isto alcança taxas de cura de 90%. Tratamento só com antimônio pentavalente não cura 42% dos pacientes, até mesmo naqueles que alcançam uma cura aparente, 19% recairá.

Progressão e sintomas

O resultado de uma infecção com leishmanias pode tomar dois cursos. Na maioria dos casos o sistema imunitário reage eficazmente pela produção de uma resposta citotóxica (resposta Th1) que destrói os macrófagos portadores de leishmanias. Nestes casos a infecção é controlada e os sintomas leves ou inexistentes, curando-se o doente ou desenvolvendo apenas manifestações cutâneas. No entanto, se o sistema imunitário escolher antes uma resposta (humoral ou Th2) com produção de anticorpos, não será eficaz a destruir as leishmanias que se escondem no interior dos macrófagos, fora do alcance dos anticorpos. Nestes casos a infecção (apenas L. donovani ira se desenvolver em leishmaniose visceral), uma doença grave, ou no caso das espécies menos virulentas, para manifestações mucocutâneas mais agressivas e crónicas. Naturalmente que um indivíduo imunodeprimido não reage com nenhuma resposta imunitária vigorosa, e estes, especialmente os doentes com SIDA/AIDS, desenvolvem progressões muito mais perigosas e rápidas com qualquer dos patogénios. Em Portugal, Espanha, Itália e França este grupo tem ultimamente formado uma percentagem grande dos doentes com formas de leishmaniose graves.

A leishmaniose visceral, também conhecida por kala-azar ou febre dumdum, tem um período de incubação de vários meses a vários anos. As leishmanias danificam os orgãos ricos em macrófagos, como o baço, o fígado, e a medula óssea. Caracteriza-se, na minoria de indivíduos que desenvolvem sintomas, por início insidioso de febre, tremores violentos, diarréia, suores, mal estar, fadiga, hepatoesplenomegália, anemia, leucopenia e por vezes manifestações cutâneas como úlceras e zonas de pele escura (denominado kala azar, "doença preta" em hindi e persa, ou "botão do oriente"), em adultos principalmente. Se não tratada, é mortal num período curto ou após danos crónicos durante alguns anos, especialmente em doentes com SIDA/AIDS.

A leishmaniose cutânea tem uma incubação de algumas semanas a alguns meses, após o que surgem sintomas como pápulas ulcerantes extremamente irritantes nas zonas picadas pelo mosquito, que progridem para crostas com líquido seroso. Há também escurecimento por hiperpigmentação da pele, com resolução das lesões em alguns meses com formação de cicatrizes inestéticas. A leishmaniose mucocutânea é semelhante, mas com maiores e mais profundas lesões, que se estendem às mucosas da boca, nariz ou genitais

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é pela observação directa microscópica dos parasitas em amostras de linfa, sanguíneas ou de biopsias de baço, após cultura ou por detecção do seu DNA ou através de testes imunológicos, como a Reação de Montenegro.

O tratamento é por administração de compostos antimóniais, pentamidina, anfotericina ou miltefosina. A prevenção é por redes ou repelentes de insectos, construção de moradias humanas a distância superior a 500 metros da mata silvestre e pela erradicação dos Phlebotomus/Lutzomyia.

As moléculas mais utilizadas no tratamento da leishmaniose canina são os antimoniais e o alopurinol.

Enquanto no Homem consegue-se uma cura definitiva, no cão tratamento raramente leva à cura definitiva, pois o animal mantém-se como portador, apresentando uma melhoria clínica, com o desaparecimento dos sinais clínicos, que reaparecerão passados meses. As recidivas no cão também podem ser devidas a reinfecção, principalmente se o cão viver numa região endémica.

Vacina terapêutica para a leishmaniose

Uma vacina está sendo testada nos municípios de Caratinga e Varzelândia, em Minas Gerais - Brasil, e também na Colômbia e no Equador, sob a coordenação da OMS. Os testes estão em fase final e, até agora, os resultados são bons e o pesquisador está otimista também com os resultados dos testes da vacina preventiva.

A vacina terapêutica para leishmaniose, desenvolvida pelo Prof. Wilson Mayrink, pesquisador do Departamento de Parasitologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), recebeu o registro do Ministério da Saúde e agora pode ser comercializada no Brasil.

No cão ainda não existe uma vacina comercializada na Europa. Actualmente a forma mais eficaz de prevenção passa pela utilização de produtos especiais com efeito de repelência sobre os flebótomos. Estão comercializados vários produtos à base de piretróides sintéticos. O produto que tem demonstrado mais eficácia e que é mais recomendado e referenciado é a coleira impregnada com deltametrina. Recentemente (Maio de 2007), as autoridades sanitárias do Município de Campo Grande Mato Grosso do Sul, no Brasil, adquiriram vários milhares destas coleiras para fazer frente à leishmaniose canina.

A cura da doença foi descoberta no início do século XX pelo médico paraense de Belém do Pará, Gaspar Viana

Leishmaniose canina

É uma enfermidade provocada por um parasita (Leishmania), que invade is órgãos dos cachorros provocando lesões consideráveis, até provocar a morte do animal. A sintomatolgia é muito variada, mas deve-se destacar lesões na pele, nas articulações e, quando a doença está muito avançada, problemas renais. O parasita é transmitido através da picada do mosquito flebotomo ou por um mosquito chamado pito.

A diferença destes mosquitos aos que estamos acostumados a ver é que o flebotomo é muito mais pequeno. Não é fácil de vê-lo e tampouco ouvir-lo. Apenas as fêmeas picam, pois necessitam de sangue para desenvolver os ovos. O pito, por outro lado, só se prolifera na Bacia Amazônica.

1 comentários:

Anônimo disse...

tem que ter o ciclo de vida.

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